Assim, Bernard de Mandeville no começo do século XVIII:
Junho 15th, 2009 at 22:28 de Matheus Diniz (Sem Categoria)
“Onde a propriedade esteja suficientemente protegida, seria
mais fácil viver sem dinheiro do que sem pobres, pois quem faria
o trabalho? (…) Assim como os trabalhadores devem ser pre-
servados de morrer de fome, também não deveriam receber nada
que valha a pena ser poupado. Se aqui e ali alguém da classe
mais baixa, por incomum esforço e apertando o cinto, eleva-se
acima das condições em que foi criado, ninguém deve impedi-lo:
sim, é inegavelmente o plano mais sábio para cada pessoa na
sociedade, para cada família, ser frugal; mas é do interesse de
todas as nações ricas que a maior parte dos pobres nunca esteja
inativa e, ainda assim, continuamente gaste o que ganha. (…)
Aqueles que ganham a vida com seu labor diário (…) não têm
nada que os aguilhoe para serem serviçais senão suas necessi-
dades, que é prudente aliviar, mas loucura curar. A única coisa
que pode tornar o homem trabalhador esforçado é um salário
moderado. Um pequeno demais torna-o conforme seu tempera-
mento, desalentado ou desesperado; um grande demais torna-o
insolente e preguiçoso. (…) Do desenvolvimento até aqui segue
que, numa nação livre em que não sejam permitidos escravos, a
riqueza mais segura consiste numa porção de pobres laboriosos.
Além de serem a inesgotável fonte fornecedora da marinha e do exército, não poderia haver sem eles satisfação e nenhum produto
de qualquer país seria valorizável. Para fazer a sociedade” (que,
obviamente, consiste em não-trabalhadores) “feliz e o povo con-
tente, mesmo nas piores circunstâncias, é necessário que a grande
maioria permaneça tanto ignorante quanto pobre.
O conhecimento amplia e multiplica nossos desejos, e quanto menos um homem deseja, tanto mais facilmente suas necessidades podem
ser atendidas”.
